Artigo: Gusttavo Lima se equivocou sobre o amor

Conheci o Gusttavo Lima na academia, quando uma canção dele me chamou a atenção. Não foi exatamente a voz forte de tenor estilo sertanejo (muito boa por sinal) que me interessou, mas sim a letra da música que imediatamente me levou a “filosofar” a seu respeito. A canção referida se chama Café e Amor e apesar de não ter sido composta pelo artista tem a sua “cara”, pois foi por ele gravada. Vou destacar apenas um trecho para não me alongar. Quero deixar claro aos fãs que nada tenho contra o garotão (a não ser aquelas roupas vestidas a vácuo). Farei apenas uma análise da letra em questão, traçando considerações a respeito do tema central. “Café e amor são duas coisas que não servem frios”. Escolhi a frase emblemática do refrão. Deixando de lado o fato de existirem receitas de café gelado (não quero parecer que estou perseguindo o rapaz) vou focar na principal questão: o que é verdadeiramente o amor? Existe uma grande confusão na pós-modernidade. Amor e paixão são duas coisas que parecem próximas, mas que na realidade são totalmente diferentes. Paixão é quente, é vulcão. Amor são águas tranquilas. Nem sempre é preciso paixão para virar amor, entretanto se a paixão se transforma em amor será impossível terminar uma relação e vou explicar o porquê.

Amor não é sentimento. Não é uma coisa que vem e passa. Sentimento é raiva, alegria, frustração etc. O amor é sim uma qualidade do ser. Qualidades podem ser conquistadas, elaboradas e depois disso jamais deixam de fazer parte da pessoa. Por isso o amor é e deve ser sempre uma meta, um alvo, um destino. Encontrar alguém, se encher de paixão carnal e sentir arrepios é fácil, é físico. Construir o amor diante do desafio das diferenças que vão surgindo é espiritual. Descartar alguém porque o “amor” esfriou é sinal de imaturidade existencial. Assim o amor também é um termômetro. Ele é capaz de definir exatamente quem eu sou. Nunca deveríamos nos medir pelo corpo sarado, pelas conquistas acadêmicas, pelo carrão importado, pelo sucesso na carreira. Devemos nos medir sim pela quantidade de amor que somos capazes de doar.

Diz um belo texto bíblico: “o amor jamais acaba”. Se acabou nunca foi amor. Gusttavo Lima se enganou. Muitos estão se enganando. Descartar alguém pelo fato de ter terminado o tesão faz com que cada dia mais as pessoas se vejam como meros objetos de desejo, cada um por si. O amor está se esfriando em muita gente. O que iremos obter disso enquanto sociedade? O que seriam a ambição, a paixão pelo poder, a violência e a solidão pandêmicas em nosso mundo senão reflexos do amor que se esfriou? Se não tem mais arrepios talvez seja a hora de construir algo verdadeiramente belo, construir o verdadeiro amor.

Alec Saramago -Psicólogo, Escritor e Palestrante

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