Sonic: um filme para todas as idades

O personagem Sonic é da época de muitos de nós, foi criado no início da década de 90. A Sega estava em busca de criar um personagem para representar o Mega Drive e com isso surgiu o “Sonic the Hedgehog” – um ouriço bem fofo que encantou (e ainda encanta) os amantes de games. É claro que sempre ficava a dúvida na disputa entre Sonic e Mario, Sega ou Nintendo, assim como existe até hoje entre a Coca e a Pepsi. Difícil agradar a todos de forma unânime, uns sempre preferirão o Mario, outros até ficam em cima do muro sem saber em qual votar, já que amam ambos. Porém, é inegável que a Sega tinha alguns jogos com qualidade inferiores, e acabava perdendo para seu adversário. Aqui o cenário muda e o filme do Mario perde para o do Sonic, como poderíamos prever, até mesmo pela diferença de anos que foram criados – entende-se e com razão. Há rumores que haverá um novo filme da Nintendo em 2022, resta-nos esperar para ver. Enquanto isso, vamos conhecer um pouquinho mais sobre o personagem mais famoso da Sega. Sonic – O filme acabou sendo adiado em virtude de duras críticas que os fãs do game fizeram, afinal, no trailer aparecia um mascote estranho, meio humano e nada a ver com o original. Após diversas reclamações na internet, muitos memes e zoações, a produção resolveu mudar, por isso demorou um pouquinho mais para a estreia da animação. E deu certo. O mascote está condizente com os jogos, seu tamanho ficou melhor e até mesmo o sapato vermelho ficou esteticamente perfeito.

Ao lado de Sonic, temos um personagem real para comandar o filme, o xerife da cidade, Tom Wachowski (James Marsden). O xerife está insatisfeito com o trabalho que leva e também com a pequena cidade que mora, Green Hills. Ele deseja se mudar para São Francisco com a esposa e ser reconhecido pelo seu trabalho. Para quem não lembra, Green Hill Zone é o primeiro estágio do jogo da Sega – essa é uma das várias referências que o filme faz. Logo no início da live action já relembramos a sensação de apertar o start do jogo. Somos levados a um cenário com muitas cores e paisagens de Green Hill Zone, em que Sonic, com sua velocidade desenfreada, explora o ambiente e nos conta a sua história. Além disso, diferentemente do jogo, em que os famosos anéis eram capturados para ganhar vida e score, no filme, eles servem para abrir portais. Antes de cumprir uma espécie de missão que lhe é dada, ao passar por um anel-portal e ir para outro mundo, Sonic quer aproveitar tudo o que ainda não fez, quer entrar num bar, quer brigar numa festa, quer dançar, assim como deseja ter um amigo. Durante o filme sentimos esse peso em suas costas, tudo o que ele faz é consigo mesmo. Brinca de ping-pong, é o paciente e ao mesmo tempo o terapeuta; ele é um, mas faz o papel de dois em tudo, pois não há ninguém com quem possa dividir as coisas ou simplesmente ficar no mesmo ambiente. E isso é muito emocionante, a forma tratada no filme é de deixar desde um adulto até uma criança com vontade de abraçar Sonic e falar que tudo ficará bem. O destaque, por sua vez, fica com a atuação de Jim Carrey em seu personagem Robotnik, o arqui-inimigo do Sonic. Ele rouba a cena com seu jeito cômico, sua performance impecável, relembrando os bons tempos em que ele interpretou Ace Ventura, O máscara e O mentiroso. É uma história que não possui complexidade, pessoas de qualquer idade conseguem compreender o enredo. Alguns fãs podem ficar insatisfeitos já que a computação gráfica não é das melhores. Existem cenas que o Sonic aparece pequeno e, em outras, ele já está um pouco maior, mas nada que atrapalhe ou que desmereça assisti-la. Em suma, é um ótimo filme para assisitr com a família e se divertir.

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Natalia Araújo é advogada, resenhista há treze anos do site Revelando Sentimentos em que escreve sobre livros, filmes e séries.