Vale-alimentação e vale-refeição: novas regras entram em vigor em todo Brasil

17/02/2026 08:09 • 4m de leitura

As novas regras do vale-alimentação e do vale-refeição passaram a valer, nesta última terça-feira (10), em todo o país. As mudanças foram estabelecidas por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alteram o funcionamento do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), política pública criada em 1976 para garantir acesso à alimentação aos trabalhadores brasileiros. O objetivo principal do governo federal é aumentar a transparência no setor, estimular a concorrência entre operadoras e reduzir custos para estabelecimentos comerciais e beneficiários. Atualmente, o programa alcança cerca de 22,1 milhões de trabalhadores e conta com aproximadamente 327 mil empresas cadastradas. As informações são da Agência Brasil.

Limite de taxas cobradas das empresas

Uma das principais mudanças envolve a redução das tarifas aplicadas pelas operadoras de benefícios a restaurantes e supermercados.

Confira:

  • Taxa de desconto, chamada Merchant Discount Rate (MDR), não pode ultrapassar 3,6%
  • Tarifa de intercâmbio passa a ter teto de 2%
  • Ficam proibidas cobranças adicionais

Antes da regulamentação, comerciantes reclamavam de custos elevados que, segundo entidades do setor, acabavam sendo repassados aos preços dos alimentos.

Prazo menor para pagamento aos estabelecimentos

Outra alteração relevante é o prazo para que restaurantes e mercados recebam o valor das compras feitas com o benefício. Com a nova regra, o repasse deve ocorrer em até 15 dias corridos após a transação. Anteriormente, o pagamento podia demorar até 30 dias. A mudança busca melhorar o fluxo de caixa dos estabelecimentos, principalmente pequenos negócios.

Proibição de práticas abusivas

O decreto também manteve normas já vigentes desde novembro, como a vedação de práticas comerciais consideradas abusivas. Entre elas:

  • Deságios
  • Descontos indiretos
  • Benefícios financeiros não relacionados à alimentação
  • Prazos incompatíveis com repasses pré-pagos

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as medidas garantem que o recurso seja utilizado exclusivamente para alimentação do trabalhador. “Por ora, elas estão protegidas de sanções por descumprimento das regras de taxas e prazos, mas não estão dispensadas das demais obrigações do decreto e do PAT”, afirmou o órgão. “É fundamental que todas as empresas ajustem suas operações para estar em conformidade com o novo normativo, inclusive aquelas que possuem liminar. As liminares não suspendem a vigência do decreto como um todo”, diz o Ministério em nota.

Empresas questionam regras na Justiça

Grandes operadoras de benefícios entraram na Justiça e obtiveram decisões liminares suspendendo temporariamente punições. No entanto, o governo esclarece que o decreto permanece válido e deve ser seguido por todo o mercado. Ou seja, mesmo protegidas contra multas momentaneamente, as empresas continuam obrigadas a adaptar seus sistemas às novas exigências.

Impacto para trabalhadores

As mudanças prometem ampliar a aceitação dos cartões e aumentar o poder de escolha do consumidor.

Na prática, a expectativa é:

  • maior número de estabelecimentos aceitando o benefício
  • redução de custos indiretos
  • melhoria no acesso à alimentação

O governo também avalia que o novo modelo traz equilíbrio econômico ao setor.

Próximas etapas da mudança

A regulamentação ainda terá novas fases ao longo de 2026.

Maio: aceitação ampliada

A partir de 10 de maio, o cartão deixará de funcionar apenas em estabelecimentos credenciados por uma única operadora. O benefício poderá ser aceito em diferentes maquininhas, independentemente da bandeira.

Novembro: interoperabilidade total

Cerca de 360 dias após o decreto, o sistema passará a ser totalmente interoperável. Qualquer cartão do PAT deverá funcionar em qualquer máquina de pagamento do país.

Programa completa 50 anos

O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) completará 50 anos em 2026 e é considerado uma das políticas públicas mais duradouras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com as mudanças, o governo pretende modernizar o sistema e alinhar a política pública à realidade digital dos meios de pagamento, garantindo maior eficiência econômica e melhor acesso à alimentação para milhões de brasileiros.

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