Influenciador de Feira de Santana preso por divulgar jogos ilegais é transferido para presídio em Salvador

02/04/2025 03:04 • 3m de leitura

O influenciador digital preso por crimes relacionados com as plataformas conhecidas como “jogo do tigrinho”, em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, foi transferido para o Centro de Observação Penal, na capital baiana, nesta terça-feira (01/04). Darley Felipe, de 29 anos, foi alvo de uma operação no dia 20 de março, por suspeita de integrar um grupo envolvido com a prática de estelionato, lavagem de dinheiro e divulgação dos jogos de azar ilegais. O inquérito foi concluído no último sábado (29), e todos os influenciadores investigados foram indiciados por organização criminosa, pela Polícia Civil (PC) do Ceará. O caso segue sob sigilo de justiça. Darley seguirá detido em Salvador enquanto aguarda a decisão da Justiça, que definirá se ele continuará detido ou se poderá responder ao processo em liberdade. Segundo apuração da produção da TV Subaé, afiliada da Rede Bahia, a investigação começou após uma vítima em Juazeiro do Norte (CE) denunciar prejuízos ao utilizar uma das plataformas promovidas pelos influenciadores. A operação foi conduzida pela Polícia Civil cearense e resultou na prisão de seis suspeitos em quatro estados: Bahia, Minas Gerais e Maranhão, além do Ceará. Darley Felipe foi encontrado na casa dele, no bairro Papagaio. Inicialmente, o influenciador foi levado para o Complexo Policial do Sobradinho, em Feira de Santana, onde prestou depoimento. A defesa do influenciador entrou com um pedido de liberdade e alegou que ele não teve acesso completo ao processo. Nas redes sociais, Darley tinha mais de 170 mil seguidores e ostentava uma vida de luxo. Ele se apresentava como enfermeiro e criador de conteúdo sobre viagens e estilo de vida. Neste ano, o influenciador publicou fotos em camarotes do Carnaval de Salvador, em um cruzeiro em Búzios (RJ) e em Maragogi (AL), além de registros em destinos internacionais como Emirados Árabes Unidos, França e Itália. Segundo o delegado Giovani Moraes, que está à frente investigação do caso, a prisão de Darley Felipe foi pedida porque ele foi um dos responsáveis por indicar uma das principais suspeitas de Juazeiro do Norte. O delegado disse ainda que a apuração apontou que o lucro divulgado por Darley e os outros suspeitos nas redes sociais é um comissionamento que os influenciadores recebiam baseado nas perdas das vítimas. Ainda segundo Giovani Moraes, os influenciadores utilizavam contas “demo”, programadas para exibir apenas vitórias, criando a falsa ilusão de que os apostadores poderiam lucrar facilmente. No entanto, a longo prazo, os jogadores sempre sairão perdendo. “O usuário deposita, perde no jogo e o influenciador acaba sendo remunerado com uma parcela desse valor”, explicou o delegado. Era com o dinheiro que os influenciadores recebiam do grupo chinês que eles ostentavam a vida de luxo nas redes sociais. “E essa ostentação é de diversas maneiras. São viagens para o exterior, viagens para o Brasil, para destinos turísticos, frequentando restaurantes caros. É uma vida que a população média não tem acesso. E é uma forma também de iludir os seguidores, que ele vê naquele influenciador digital um sucesso”, detalhou o delegado.

G1*

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