Na luta para ter o que comer, idosa chora em entrevista ao vivo e leva repórter às lágrimas

Uma idosa da Zona Norte do Rio chorou ao relatar, ao vivo no RJ1 desta terça-feira (21), a dificuldade de alimentar a família. O drama também levou às lágrimas a repórter que a entrevistava. Janete Evaristo era uma das muitas pessoas, nesta manhã, na fila do Prato Feito Carioca do Andaraí. O programa, da Prefeitura do Rio, distribui refeições a quem não tem o que comer — e era essa a situação na casa de Dona Janete, no vizinho Morro dos Macacos. Ela está desempregada e tem mais quatro bocas para alimentar — uma filha morreu há dois anos, e o marido, há seis meses. A idosa se emocionou primeiro ao lembrar dos parentes que já se foram. Nesse momento, a repórter Lívia Torres interrompeu a entrevista, mas Janete pediu a palavra novamente — agora para relatar a dificuldade de botar comida na mesa. “Domingo a gente não tinha nada para comer. Eu estou desempregada, está muito difícil. Eu estou catando latinha, mas não dá. Eu não tenho ajuda de muita gente, então domingo a gente não tinha mesmo nada. Está muito difícil”, disse, voltando a chorar e enxugando o rosto. A repórter também foi às lágrimas. O Mapa da Fome aponta que, só no Estado do Rio de Janeiro, mais de 1,2 milhão de pessoas não conseguem colocar comida suficiente na mesa. O dado equivale a 6,8% de toda a população. Quem também estava no Prato Feito Carioca do Andaraí era Priciane Alexandre, de 30 anos, moradora do Morro dos Macacos e mãe de duas meninas. Ela conta que a pandemia piorou a situação da família, ao ponto de todos chegarem a emagrecer. “O coração cortava. Eu ficava nervosa, estressada por saber que estava chegando a hora de não ter comida”, contou Priciane. Há um mês, ela perdeu a avó, que cuidava do seu irmão, que tem necessidades especiais, e assumiu os cuidados do rapaz. Aos poucos, Priciane tenta dar a volta por cima com a ajuda de benefícios do poder público e com pequenos trabalhos.

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