Estudantes de Teofilândia participam de projeto sobre literatura e identidade indígena

O Colégio Estadual de Teofilândia realizou, nesta sexta-feira (20), oficinas do projeto escolar “Sertão Payayá: literatura e identidade indígena”. O momento contou com a participação do escritor e cacique Juvenal Payayá e da professora Jamile Lima, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que dialogaram com os estudantes sobre cultura, identidade e literatura. A ação tem como objetivo resgatar a contribuição e a presença indígena na constituição do Território do Sisal, sendo uma das iniciativas selecionadas no Prêmio Jorge Conceição, que é voltado para práticas das comunidades escolares do Estado e dedicado a temas ligados à história afro-brasileira e indígena. O projeto propõe atividades no âmbito do componente curricular das culturas Africana, Quilombola e Indígena, porém dialoga com todas as disciplinas do 1º ano do Ensino Médio, totalizando 250 estudantes. Dentre as estratégias metodológicas, se destaca a pesquisa na família e na localidade, em busca de traços e heranças indígenas. As atividades seguem até o fim do ano letivo com diversas palestras e oficinas. A estudante Vitória de Jesus da Silva, 20, ficou surpresa com o conteúdo e gostou da forma que o trabalho vem sendo realizado. “É um projeto muito legal e interessante. Fiz um cartaz e questionário sobre os indígenas e participei de palestras. Achei  importante para o nosso aprendizado e para meu futuro e percebo que já aprendi coisas que eu ainda não sabia, como as diferenças entre as línguas, roupas e costumes”. A professora de Cultura Afro e Indígena, Janielle Santos, disse que as atividades incluem um movimento de escuta dos povos indígenas, que se constitui em um processo de enfrentamento das narrativas convencionais. “O projeto atua com interdisciplinaridade para trabalhar a cultura dos povos indígenas, tão presente em nosso cotidiano, mas, ao mesmo tempo, tão negada. Estimulamos os estudantes a se voltarem para os conhecimentos ensinados em suas comunidades, cujas raízes são Payayá, e entenderem que esse passado se faz presente”. 

De acordo com o cacique Juvenal Payayá, o projeto é uma iniciativa da comunidade escolar que vem quebrar o paradigma de um modelo em que o domínio pertence ao colonizador. “Foi um dia empolgante, principalmente pela expressiva participação dos estudantes. Os professores e alunos demonstraram vontade em compreender a poética indígena, o outro lado da história, a visão do povo originário. Falamos sobre criação, literatura, história, cultura indígena e apresentamos obras literárias. O momento foi rico e produtivo”. O diretor da unidade, Sidnei da Visitação, explica que o “Sertão Payayá: literatura e identidade indígena”, contribui para desmistificar conceitos. “A presença e participação da cultura indígena na identidade local e regional sofrem profundos processos de apagamento e rejeição. No entanto, a presença Payayá é notória e está nos costumes, dizeres, alimentação e na forma de lidar com a caatinga, as plantas e os animais. Resgatar a contribuição e, em especial, a presença indígena Payayá na constituição da identidade do Território do Sisal se apresenta como fundamental para promoção de uma educação antirracista, inclusiva e voltada para a diversidade, permitindo rememorar e religar as identidades indígenas com as identidades familiares e regionais”.

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