Esquecidos: Moradores de comunidade rural de Tucano vivem sem energia elétrica, água e internet

Sem água, sem luz, sem internet e sem sinal de telefonia. É assim que vivem cerca de 30 famílias que moram na Barra do Salgado, comunidade rural que fica à 23 km de Tucano, interior da Bahia. Um pedido feito à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) em 2013 não foi efetivado ainda. “Aqui as dificuldades são muitas. Nós não podemos ter uma geladeira pra guardar verduras. Tudo que a gente compra estraga rápido,” conta uma das moradoras, a aposentada Brígida Lima Ferreira, de 62 anos. Dona Brígida conta que seu marido, o aposentado José Lima dos Santos, de 73 anos tem uma doença chamada “Apnéia do Sono”, e precisou comprar um aparelho para controlar o sono dele, porém com a falta de energia estão com o equipamento parado.

“Estamos tentando adaptar pra usar na bateria, mas não funciona do mesmo jeito,” disse ela, relatando ainda outras dificuldades que enfrenta diariamente com a falta de energia. Para atividades simples como lavar prato, arrumar a casa ou na hora do jantar é preciso acender o candeeiro. Os equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, tão comuns em qualquer casa, nunca chegaram à região. “A gente não tem geladeira, televisão, tudo é difícil”, diz ao Voz do Campo.

Dona Brígida Lima Ferreira ao lado de seu esposo, o aposentado José Lima dos Santos | Foto: Arquivo Pessoal

O motorista Padilho Ferreira de Souza, de 37 anos, mora na cidade de Araci e contou ao portal, que sua mãe, a lavradora Josefa Ferreira de Souza, de 67 anos mora na localidade e acompanha as dificuldades que ela passa diariamente, juntamente com os outros moradores do vilarejo. Ele narrou um fato que aconteceu a cerca de 1 ano. “No ano passado, minha mãe precisou de um socorro médico urgente. Ela desmaiou logo cedo, e mandaram um portador de moto ir até uma casa que fica a alguns quilômetros, onde tem internet. De lá ligaram pra mim aqui em Araci, e viajei cerca de 70km até lá para trazer minha mãe no hospital. Agora imagine se fosse algo mais grave. Eu prefiro nem pensar nisso. É cruel essa falta de comunicação lá,” narrou Padilho.

Padilho Ferreira de Souza ao lado de sua mãe, a lavradora Josefa Ferreira de Souza | Foto: Arquivo Pessoal

“Se a gente tivesse energia, era mais fácil colocar internet e facilitaria muita coisa. Ele conta ai que vem cobrando sempre a Coelba uma solução. “Depois de 6 anos que demos entrada no pedido de energia da comunidade, eles vinheram e marcaram o lugar de colocar os postes, apenas marcar os lugares, depois disso desapareceram e até hoje nada. Quando a gente liga pra lá, eles dizem que até o final de 2021 tem uma resposta para o assunto. E quem acredita mais? Se passaram 6 anos pra vim marcar os postes,” conta ele, lembrando ainda que ao redor do vilarejo todas as casas dispõe de energia elétrica.

Nota da Coelba
Em publicação recente, a Neoenergia, empresa controladora da Coelba disse que a meta é universalizar todo o estado da Bahia até 2021. O site Voz do Campo entrou em contato com a Coelba via telefone para saber o andamento específico do pedido, segundo a ouvidoria da empresa, só poderá dar uma resposta mais concreta dentro de 15 dias úteis. Enquanto isso, os moradores continuam vivendo como nos tempos antigos, sem energia elétrica.

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