Emocionante: Pai doa pedaço do próprio fígado para filha com doença rara em Araci

“Eu fiz o que qualquer pai faria para salvar a vida de um filho”. A frase, que já foi dita outras tantas vezes, partiu, desta vez, de Pedro Reis da Silva, de 47 anos, morador da cidade de Araci. E ele, como os outros, também tem um motivo especial para falar isso. Há 4 meses, Pedro doou um pedaço do próprio fígado à filha, Maria Vitória Silva Barreto, hoje com 9 meses, em uma cirurgia que durou cerca de 10 horas no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. “Eu como pai não pensei duas vezes em salvar a vida da minha filha. corremos atrás e Deus nos ajudou, hoje estamos todos bem e com saúde. Fui o doador, perdi 14Kg para realizar o transplante. Só tenho a agradecer a Deus e a equipe médica que fez, para mim não foi só uma doação, e sim, um ato de amor”, disse o pai.

Nesta caminhada, a esposa, Maria Lúcia Matos Barreto, de 39 anos, diz que viu de perto a luta da filha pela vida e o ato de amor do pai. “Ela chorava bastante, eu acreditava que era cólica e a levei para o médico mas nos exames tudo estava normal. Após um tempo, ela começou a ficar com os olhos amarelos, e então fizemos vários exames, e em um desses descobrimos e tínhamos que fazer a cirurgia. No momento fiquei desesperada, pois tínhamos que ir para São Paulo, mas nossa médica conseguiu marcar para nós. Fizemos os exames e Pedro era compatível para doador. Agradeço a todos que nos ajudaram, primeiramente a Deus, segundamente a minha médica que descobriu, a minha irmã que me apoiou lá em São Paulo e todos os envolvidos que salvaram a vida da minha filha”, disse a mãe.

A doença: Atresia de Vias Biliares

A atresia de vias biliares (AVB), é uma doença do fígado e ductos biliares que ocorre em recém-nascidos. As células do fígado produzem um líquido chamado bile, que ajuda na digestão de gorduras e carrega algumas substâncias para serem eliminadas pelo intestino através de ductos biliares. Na AVB ocorre uma inflamação destes ductos, levando a uma obstrução progressiva dos mesmos. A bile fica retida no fígado, provocando rapidamente dano hepático, que pode evoluir para cirrose e óbito, caso não seja tratada precocemente. É a causa mais comum de transplante hepático em crianças. O tratamento é realizado através de uma cirurgia chamada portoenterostomia, também conhecida como “técnica de Kasai”. Deve ser realizada o mais precocemente possível, de preferência até seis a oito semanas de vida, antes de ocorrer à formação do tecido cicatricial no fígado. Se a cirurgia não for realizada, a doença é sempre fatal.  Uma alça do intestino delgado é conectada ao fígado. Isso faz com que a bile passe diretamente do fígado para o intestino. A cirurgia não cura a atresia biliar, mas ajuda o fluxo de bile de volta ao intestino e reduz a sobrecarga hepática. Mesmo quando a operação é bem sucedida, cerca de metade dos bebês continuam a ter uma piora na doença hepática, desenvolvendo cirrose, precisando eventualmente de um transplante hepático. No caso de bebês que não podem passar por essa operação, eles em geral precisam de um transplante de fígado até os dois anos de idade. (SBP).

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