SUS fez mais de 80 mil procedimentos após abortos mal sucedidos neste ano

O número de mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil por conta de abortos mal sucedidos ao longo do primeiro semestre de 2020 foi 79 vezes maior que o número de abortos previstos por lei realizados no mesmo período. Dados do DataSUS indicam a realização de 1.024 interrupções de gravidez legais ao mesmo tempo em que 80.948 curetagens e aspirações, que são processos necessários para limpeza do útero após um aborto incompleto, foram feitas. O número considera tanto abortos provocados quanto espontâneos, mas esses procedimentos são mais requisitados no primeiro caso. As informações são do G1 SP, que ouviu especialistas em saúde da mulher. Os profissionais apontaram que essa discrepância indica que as mulheres não têm acesso adequado ao aborto previsto por lei e que, com isso, o próprio sistema público arca com os custos de procedimentos clandestinos. “Hoje, há muita evidência de que o aborto medicamentoso é a forma mais segura e mais eficaz de induzir um aborto. Se as mulheres tivessem acesso de forma mais indiscriminada, com certeza o grau de hospitalização para que qualquer procedimento fosse executado seria muito menor”, disse a ginecologista e obstetra Ana Teresa Derraik, diretora médica do Nosso Instituto, organização que atua na área de saúde sexual e reprodutiva da mulher. Embora a lei 12.845, de 2013, tenha concedido todos os meios para que a gestante interrompa a gravidez decorrente de estupro, sem necessidade de que apresente boletim de ocorrência ou faça exame de corpo de delito, muitos hospitais exigem documentos que comprovem a necessidade do estupro ou mesmo negam a fazer o procedimento, como aconteceu com a menina de 10 anos estuprada pelo tio no Espírito Santo. A equipe médica do Programa de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Pavivi), em Vitória, se recusou a fazer o aborto legal. A criança, então, viajou para Pernambuco, para realizar o atendimento

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