O isolamento social e o aumento, silencioso, da violência doméstica; artigo de Andressa Carvalho

A presença da violência doméstica se faz ou se fez presente no cotidiano de milhares de mulheres brasileiras, das suas mais variadas formas. De acordo com a Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006 em seu art 5º, violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Engana-se quem pensa que violência doméstica não é frequente e que a mulher se mantém na relação porque quer. Muitas vezes as mulheres não denunciam e permanecem no sofrimento, por medo, desinformação, pela “proteção” de outros, tais como,  filhos, parentes e afins, ou simplesmente pela dependência financeira, o que nos leva a crer que as estatísticas ainda são baixas em relação à quantidade de mulheres que passam pela violência doméstica. O Ministério da Saúde registra no Brasil que a cada 4 minutos uma mulher sofre agressão. O número não inclui mulheres assassinadas, já que são objeto de outra pesquisa. Com a vinda do isolamento social, medida adotada para diminuir o contágio do COVID-19,a convivência intensa, a tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos, contribui para que o número de casos de violência doméstica aumentem ou piorem. A revista Sixth Tone revelou que os registro de violência familiar contra a mulher na China triplicaram e que devido a atenção ser muito maior para com a pandemia, as vítimas de violência domésticas estão sendo negligenciadas. No Brasil, o que se mostra, é mais preocupante. Isso porque, à medida que a quarentena se prolonga, os registros policiais diminuem.  Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de março a maio do corrente ano, os registros policiais de lesão corporal dolosa contra mulheres caíram 27,2% nos 12 estados monitorados, em comparação com o mesmo período de 2019. O estudo afirma que há  uma redução em uma série de crimes contra as mulheres, e que esse é um indicativo de que as mulheres estão encontrando mais dificuldades para denunciar as violências sofridas neste período. Sem sombra de dúvidas, essa porcentagem poderia ser ainda maior caso a vítima ficasse menos refém do agressor e tivéssemos mais mecanismos para denunciar essas violências. Por isso é tão importante a informação e ter conhecimento que há uma rede de serviços para essas mulheres. Sendo orientado que Amigos e familiares também estejam sempre atentos. Se você conhece alguém passando por esta situação, ofereça ajuda e busque contato. Uma agressão psicológica pode levar a uma física que pode levar ao feminicídio. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180 da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência,pelo telefone 190 da Polícia Militar e no caso de Araci-BA, via WhatsApp da Delegacia de Policia Civil 75-98214 8000. Não vamos permitir que esse período de convivência seja mais uma desculpa!!!!

Andressa de  Miranda Carvalho, 19 anos; aluna do 6º período de direito e do 2º período de letras com inglês. Instagram: @andressa_mcarvalho

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