Governo adia posse do ministro da Educação após surgirem questionamentos no currículo

O presidente Jair Bolsonaro adiou a posse do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Desde a última sexta-feira (26), surgiram questionamentos sobre o currículo que Decotelli apresentou quando foi anunciado para o cargo. Carlos Alberto Decotelli já estava dando até expediente como ministro da Educação. Foi nomeado na quinta-feira (25) e a posse seria nesta terça (30) à tarde. Seria, porque o presidente Jair Bolsonaro mandou pisar no freio. A gota d’água veio da Universidade de Wuppertal. Em nota à TV Globo, a universidade alemã afirmou que Decotelli deu início a um período de pesquisa de três meses em 2016 e não fazia um pós-doutorado na universidade. No currículo de Decotelli na página do MEC, já não aparece mais o pós-doutorado na Alemanha. Ajuste também no currículo Lattes, na página do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Onde dizia que ele realizou seu pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, no início da tarde desta segunda (29) aparecia “construiu um projeto de pesquisa intitulado “Sustentabilidade e produtividade na automação de máquinas agrícolas”, que foi submetido à Universidade de Wuppertal, na Alemanha”. E agora ficou assim: “participou de um projeto de pesquisa em parceria com pesquisadora da Universidade de Wuppertal, na Alemanha, com título “Sustentabilidade e produtividade na automação de máquinas agrícolas’”. O currículo de Decotelli vem se desmanchando desde a nomeação dele como ministro da Educação. Na sexta-feira (26), a Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, negou ter dado a Decotelli o título de doutor em Ciências Econômicas. Ele cursou as matérias, apresentou a tese, mas foi reprovado. No mesmo dia, o currículo Lattes foi ajustado. Agora diz “créditos concluídos, sem defesa de tese”. No sábado (27), veio a suspeita de plágio na dissertação de mestrado na Fundação Getúlio Vargas. O professor e doutor em Economia Thomas Conti analisou o trabalho de Decotelli e encontrou vários trechos literalmente copiados de outros, publicados antes, sem o devido crédito. A FGV apura a denúncia. A nomeação de Decotelli teve o apoio de militares e impressionou até quem não o conhecia. No início da noite desta segunda, ele foi chamado pelo presidente ao Palácio do Planalto. Com a posse adiada, o governo avalia a manutenção de Decotelli no MEC diante dessas inconsistências no currículo. Depois, Decotelli deu longas explicações na porta do MEC sobre a conversa com Bolsonaro. Repetiu os argumentos que vem usando desde sexta-feira (26): que não plagiou o mestrado, que não concluiu o doutorado na Argentina porque faltou dinheiro. E falou sobre a conversa com Bolsonaro. “Ele queria saber detalhes sobre a minha vida de 50 anos como professor em toda a entidade do Brasil, então ele pegou a estrutura de detalhes, a estrutura de trabalhos no Brasil, norte, sul, leste, oeste. Então, ele queria saber desse lastro de vida como professor. O que eu pretendo, o que tem essa experiência em relação à adequação. E o terceiro aspecto: ele perguntou como é que é essa questão de detalhe acadêmico de doutorado, de pós-doutorado, de pesquisa, de mestrado, como é que é essa estrutura de inconsistências, onde existem, ele queria saber o que é isso. Então, eu expliquei a ele a questão de diferença entre defender uma tese e a diferença entre cursar os créditos do doutorado”, contou Decotelli. Decotelli disse que continua ministro: “Sou ministro, tenho trabalhos agora e agora eu fico até de noite, sabe para quê? Para tentar corrigir os ajustes de Enem, de Sisu, das demandas grandes. Não tenho nenhum arrependimento, são apenas correções em relação a texto.” Na noite desta segunda, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em uma rede social que só recebeu mensagens de trabalho e honradez desde que anunciou o nome de Decotelli para o Ministério da Educação. Bolsonaro disse que, por inadequações curriculares, o professor tem enfrentado todas as formas de deslegitimação para o ministério; que Decotelli não pretende ser um problema para a pasta e está ciente de seu equívoco; e que todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma educação inclusiva e de oportunidades para todos.

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