Sem mudar estilo, Fla mostra como é possível incomodar europeus no Mundial

A atuação do Flamengo na final do Mundial de Clubes contra o Liverpool, no Qatar, arrancou elogios mesmo com a derrota por 1 a 0. O técnico Jürgen Klopp e jogadores da equipe inglesa exaltaram o bom futebol mostrado pelos rubro-negros, que não mudaram seu estilo, chegaram a ter mais posse de bola e só foram vazados na prorrogação, com o gol decisivo de Roberto Firmino. Uma mostra de como os sul-americanos podem vir a dificultar as coisas para os favoritos europeus em próximos desafios. “Vimos o Flamengo jogar muito futebol, analisamos muito bem. Demos trabalho para eles e esperávamos terminar o jogo nos 90 minutos. Os nossos jogadores fizeram um bom trabalho, não era fácil. Não houve surpresa”, disse Klopp. O que fez o técnico Jorge Jesus dizer que sente orgulho do Flamengo é que o time não alterou a maneira de jogar mesmo contra uma das melhores equipes do mundo. É verdade que o Fla sofreu em alguns momentos em que o Liverpool subiu a intensidade e acelerou o ritmo, mas durante boa parte do jogo, especialmente no primeiro tempo, chegou até a controlar as ações e ser superior. As estatísticas da Fifa mostram um domínio do Flamengo na posse de bola, com 52%, mas o Liverpool finalizou mais e melhor: 18 chutes, sendo seis na direção do gol, contra oito do Rubro-negro, com duas no alvo. Os ingleses tiveram mais chances claras, com Firmino (duas vezes), Keita, Van Dijk e Mané perdendo gols dentro da área; já as melhores oportunidades dos brasileiros foram um chute de Gabigol defendido por Alisson e a batida para fora de Lincoln no último minuto da prorrogação. Ainda assim, os pontos fortes que o Flamengo usou para dominar a temporada no Brasil e na América do Sul voltaram a aparecer no Mundial. Na defesa, Rodrigo Caio fez partida excepcional, antecipando-se aos atacantes do Liverpool e bloqueando lances perigosos, apesar de ter sido driblado por Firmino no lance do gol. Diego Alves também brilhou com defesas cruciais em chutes de Van Dijk e Henderson. No meio, talvez o maior destaque do time tenha sido a partida de Willian Arão. O volante foi fundamental na saída de bola, especialmente quando o Liverpool baixava a intensidade da marcação pressão, e foi um dos principais responsáveis pelo Fla ter conseguido uma alta posse. Everton Ribeiro e Arrascaeta também foram importantes nesse aspecto, e o Fla perdeu muito na circulação de bola após a saída dos dois meias. Por fim, no ataque, Bruno Henrique incomodou o Liverpool com sua velocidade. Conseguiu levar a melhor no um contra um sobre Alexander-Arnold mais de uma vez e aproveitou lançamentos longos, mas faltou mais presença de área. Nesse sentido, faltou mais de Gabigol: o artilheiro até conseguiu algumas finalizações perigosas, mas, vigiado de perto por Van Dijk, não teve a eficiência de costume para achar os espaços vazios na área. Com essas características, o Flamengo soube aproveitar os momentos de menor intensidade do Liverpool para se impor. Faltou fazer o gol nas oportunidades mais claras – um pecado, aliás, que também foi cometido pelo time inglês, até Firmino tirar o zero do placar no tempo extra. Contra um adversário tecnicamente superior, o time de Jorge Jesus conseguiu deixar o jogo igual por vários momentos e ficou perto de encerrar a temporada da melhor maneira possível. Resta saber se esse jogo se tornará um exemplo para os próximos Mundiais.