A carência de espaços públicos de lazer nas cidades do Território do Sisal e as consequências na sociedade

As cidades brasileiras passam hoje por uma grave crise urbana. Este fato não é apenas das grandes cidades e já pode ser observado nos pequenos municípios. Vemos diariamente notícias dos problemas enfrentados por comunidades e bairros inteiros que vivem sem condições de habitabilidade, que sofrem com com a falta de saneamento básico, de iluminação pública, deslizamentos de morros, aumento da criminalidade, falta de saúde e etc (…). Hoje, mais de 90% das cidades com mais de 50 mil habitantes possuem assentamentos precários, sem espaços de lazer e socialização. Estes locais são, justamente, os mais perigosos para a segurança pública e têm os piores índices de saúde coletiva. Essa crise é resultado de décadas de omissão e ineficácia do Poder Público em suas tentativas de implantação de políticas urbanas e habitacionais, seguida pela incapacidade dos atuais administradores em constituir e gerenciar políticas visando garantir infraestrutura urbana básica para seus habitantes.

Dentro deste cenário, destaca-se a falta de espaços públicos de lazer e socialização nas cidades. Em sentido inverso, poucas opções para as crianças e jovens fazem com que ambientes perversos ou anti-sociais sejam atrativos para as pessoas. Floresce, assim, a violência e a depressão. Para uma observação simples, basta comparar a violência e a depressão hoje, com décadas atrás. Basta comparar as opções de lazer hoje, com décadas atrás. Estamos piores, correto? “Cabeça vazia é território do (…)”, diz um ditado popular. Portanto, sejamos inteligentes: As pessoas não estão mais fracas e piores. Faltam espaços sociais e de lazer para preencher o tempo das pessoas.

Este fato permanecerá inalterado até que tal situação apresente-se insuportável, exigindo uma posição eficiente do Poder Público. No Território do Sisal, algumas das ações paliativas direcionadas à criação de espaços públicos de lazer nas cidades segue a lógica do “prático, rápido e barato”, que só favorecem a marginalização dos espaços coletivos. Outros espaços são ocupados clandestinamente, e por isso não podem receber melhorias, o que faz com que a própria população local utilize terrenos baldios e beiras de estradas como áreas de lazer. Observamos que as cidades são organizadas espacialmente para responder a interesses de grupos que obtém vantagens particulares com a especulação imobiliária e vemos os governos agindo com conivência quanto a tais empreendimentos e com omissão quanto às questões mais graves como o completo abandono de áreas periféricas. Vemos, também, o florescimento de espaços de lazer privados, que criam ilhas para os mais abastados. Estes, por sua vez, esquecem que relegar este direito aos mais pobres, além de ser um erro do ponto de vista social, dificulta ainda mais as ações de melhorias da segurança pública.

Enquanto essa postura ineficiente for mantida e os problemas enfrentados pelas populações de baixa renda não forem tratados alheios a interesses particulares, teremos um quadro cada vez mais grave de segregação socioespacial, que nega a uma enorme parcela da população das cidades o direito de sair de casa e encontrar um ambiente saudável para seu lazer e de seus familiares. As consequências desta falta de planejamento, portanto, são uma sociedade mais doente e menos segura.

Felipe Silva Sales
Cidadão.

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