

Com a corrida ao Governo da Bahia em 2026 ganhando forma, um ponto virou peça-chave para a montagem das chapas: a escolha do vice-governador. O cargo, primeiro na linha sucessória, passou a concentrar uma disputa que mistura força regional, peso partidário, capacidade de diálogo com o interior e composição de alianças. A indefinição se mantém, e interlocutores apontam que as definições podem se intensificar ainda em março. 
No campo oposicionista liderado por ACM Neto (União Brasil), o vice é tratado como alavanca para ampliar presença em regiões onde o desempenho ainda é considerado aquém do desejado. Do lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a disputa se dá na lógica de manter a coalizão estável e acomodar interesses de partidos aliados, com destaque para MDB e Avante. 
A seguir, um panorama dos nomes mais citados nos bastidores e na imprensa política
Sheila Lemos (União Brasil)
A prefeita de Vitória da Conquista aparece como um dos nomes mais comentados para compor uma eventual chapa de ACM Neto. Além do simbolismo de liderar um dos maiores polos políticos do interior, Sheila carrega um argumento objetivo: Conquista integra o topo do eleitorado baiano, atrás de Salvador e Feira de Santana, sendo a terceira no ranking estadual entre as cidades com maior número de eleitores. 
Recentemente, a própria prefeita se colocou à disposição para o posto, defendendo a ideia de uma vice “com a marca do interior”. Lideranças do grupo oposicionista também passaram a tratá-la publicamente como opção viável. 
Leitura de bastidor: se a prioridade for um vice com forte ancoragem no interior e apelo eleitoral mensurável, Sheila entra com vantagem por reunir território + visibilidade + densidade eleitoral.
Zé Cocá (PP)
Prefeito de Jequié, Zé Cocá tem um atributo de destaque na prateleira de vice: capilaridade municipalista. Ele presidiu a União dos Municípios da Bahia (UPB) no biênio 2021–2022, experiência que costuma contar ponto em negociações de chapa por ampliar relações com prefeitos e lideranças locais. 
Seu nome passou a ser citado com força na oposição para a vice, inclusive em matérias recentes que relatam movimentações após oscilações em outros nomes da lista. 
Leitura de bastidor: Cocá é visto como opção que combina gestão de cidade-polo regional e trânsito municipalista. Por isso, aparece como um nome que, em tese, poderia ser cortejado por diferentes frentes, dependendo do desenho final das alianças.
Zé Ronaldo (União Brasil)
O prefeito de Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, sempre surge como carta forte em qualquer composição majoritária, pelo óbvio: base eleitoral, estrutura e projeção. 
Nos bastidores, Zé Ronaldo também é lido como figura capaz de dialogar com mais de um campo, especialmente após movimentações e aproximações com lideranças fora do núcleo duro oposicionista. Ainda assim, ele próprio vem esfriando publicamente a hipótese de disputar cargo em 2026, reforçando a intenção de cumprir o mandato na prefeitura. 
Leitura de bastidor: o nome segue “grande” por natureza, mas a viabilidade depende de um fator simples: se ele topar o jogo. Se insistir em permanecer em Feira, abre espaço para outros nomes
Quinho (PSD)
Outro nome que entrou no radar com força é Quinho, ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da UPB. A hipótese vem sendo tratada como aposta para equilibrar interiorização e trânsito entre prefeitos, com registro explícito de que ele já conversou com lideranças do grupo oposicionista. 
O histórico recente também reforça a presença dele no municipalismo: a UPB registra a passagem de comando e o ciclo da gestão que o projetou nacionalmente, elemento que costuma ser usado como credencial política em negociações de chapa. 
Leitura de bastidor: Quinho opera numa faixa que interessa a chapas de governo: prefeitos, interior e articulação institucional. É o tipo de vice que não “rouba cena” do cabeça, mas entrega sustentação.
Geraldo Júnior (MDB)
Atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB) entra naturalmente na lista por ocupar o cargo e por o MDB ser uma sigla já consolidada na aliança com o PT. 
Mas o nome enfrenta resistências por dois episódios recentes que afetaram sua leitura política: 1) desempenho eleitoral em Salvador (2024): Geraldo Júnior ficou em terceiro lugar, atrás inclusive de Kleber Rosa (PSOL), em uma disputa vencida em primeiro turno por Bruno Reis. Esse resultado foi amplamente interpretado como sinal de fragilidade de tração na capital; 2) ruído com Rui Costa: nos últimos dias, repercutiu o episódio em que o vice teria encaminhado, em grupo de WhatsApp, uma mensagem com críticas ao ministro Rui Costa e pedido para “viralizar”, gerando desgaste público e comentários de bastidores. 
Leitura de bastidor: o MDB continua relevante na engenharia da chapa governista, mas o nome do vice deixou de ser uma unanimidade.
Marcelo Nilo (Republicanos)
Ex-presidente da Assembleia Legislativa e figura conhecida do meio político, Marcelo Nilo se colocou como peça do campo oposicionista e tem sido citado como alguém que gostaria de integrar a majoritária, inclusive discutindo publicamente cenários e pressionando por definições. 
Ele também se declara pré-candidato ao Senado, mas analistas e interlocutores costumam questionar se há densidade eleitoral suficiente para uma disputa majoritária dura na Bahia, o que aumenta o interesse dele por arranjos de composição.
Leitura de bastidor: Nilo agrega história e discurso, mas precisa de uma amarra estratégica para se tornar indispensável. Em chapa, tende a funcionar mais como peça de negociação política do que como motor eleitoral.
Ronaldo Carletto (Avante)
O Avante, liderado na Bahia por Ronaldo Carletto, deixou claro que quer espaço maior na composição e passou a mirar explicitamente a vice de Jerônimo. 
O movimento ganha tração porque Carletto aparece conectado a articulações do entorno governista: ele foi confirmado como suplente em arranjo ligado ao ministro Rui Costa, e o partido tem atuado para reforçar musculatura na base. 
Leitura de bastidor: se a lógica for premiar um aliado com estrutura partidária e garantir governabilidade, Avante entra no jogo como alternativa real, sobretudo se houver veto cruzado a outros nomes.
Ricardo Maia (MDB)
O nome de Ricardo Maia (MDB) passou a circular com mais intensidade como possível vice justamente por reunir o tipo de atributo que costuma decidir eleição estadual: capilaridade no interior e influência regional.
Há registros recentes de que ACM Neto abriu conversas e que aliados o tratam como perfil ideal para avançar em áreas onde a oposição busca melhorar desempenho. 
Ao mesmo tempo, no campo governista, Ricardo aparece como alternativa relevante na hipótese de o MDB não fechar questão com Geraldo Júnior. A discussão ganha densidade porque o partido é central na base, mas o nome do vice pode virar disputa de prestígio interno diante do cenário pós-2024 e dos ruídos mais recentes. 
Leitura de bastidor: Ricardo cumpre um papel raro: ele pode ser tratado como solução de interiorização tanto para a oposição quanto, em outra chave, como “plano forte” dentro do MDB caso a permanência de Geraldo Júnior encontre resistência.
O que essa disputa revela
Mais do que uma simples lista de possíveis nomes, a movimentação em torno da vice-governadoria revela como a eleição de 2026 começa a ser desenhada na Bahia. A busca por um vice passou a refletir duas necessidades estratégicas distintas: de um lado, a oposição procura ampliar sua presença em regiões onde ainda busca consolidar força política; do outro, o grupo governista trabalha para manter coesa a ampla coalizão que sustenta a gestão estadual.
Nesse contexto, prefeitos de cidades-polo, lideranças do municipalismo e dirigentes partidários ganham destaque nas conversas de bastidores, sobretudo pela capacidade de articulação com prefeitos e lideranças locais em diferentes regiões do estado. O interior, tradicionalmente decisivo nas disputas estaduais, volta a aparecer como elemento central na montagem das chapas.
Embora ainda seja cedo para definições, a tendência é que as articulações avancem ao longo dos próximos meses, à medida que partidos e lideranças consolidem alianças e avaliem cenários eleitorais. Até lá, nomes seguem sendo testados e observados no tabuleiro político, em uma disputa silenciosa que costuma anteceder as decisões formais das chapas majoritárias na Bahia.



