BC decreta liquidação do Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado Master

18/02/2026 11:18 • 3m de leitura

O BC (Banco Central) decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do banco Pleno (ex-Voiter), que já pertenceu ao conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Pleno fazia parte do conglomerado Master até julho de 2025, mas seu atual dono, Augusto Lima, deixou a sociedade com Daniel Vorcaro e ficou com o banco. Ambos foram presos no âmbito da Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberados sob uso de tornozeleira eletrônica. O Pleno enfrentava dificuldades de liquidez e buscava um investidor para continuar operando. Por determinação do BC, o banco estava proibido de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025. Segundo as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o ex-Voiter tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Na outra ponta, porém, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs , que correspondiam a R$ 5,4 bilhões. Em nota, o BC informou que o conglomerado do Pleno detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional. Sem se financiar pela emissão de novos CDBs, o pagamento de compromissos do banco se tornou mais difícil. Em 18 de novembro, foi anunciada a liquidação do Master, do Master de Investimento, da Master Corretora e do Letsbank. Nos dias 15 e 21 de janeiro, foram liquidados a administradora de fundos Reag e o Will Bank, respectivamente. Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos. Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital. Sem sucesso, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter em 2023. A operação não foi para frente e, em fevereiro de 2024, o Master levou a instituição. Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Lima, que mudou o nome da instituição para Pleno, no momento em que analisava a venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília. Quatro meses depois, o banqueiro foi preso. A autorização ocorreu mais de um ano após a saída de Lima do Master —ele havia deixado o banco no fim de abril de 2024, quando vendeu a sua participação na holding para o próprio Vorcaro.

BN*

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