ACM Neto se reúne com Flávio Bolsonaro e ensaia aliança contra o PT na Bahia

18/03/2026 11:36 • 4m de leitura

O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), marcou presença em uma reunião do PL na capital federal na última terça-feira (17). Ao lado do pré-candidato a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto; e do presidente da sigla na Bahia, João Roma (PL), o ex-prefeito de Salvador sinalizou que as arestas de 2022 começam a ser aparadas. O pretexto oficial foi a filiação de Aroldo Cedraz, ex-ministro do TCU e pré-candidato ao Senado, ao partido de Flávio. No entanto, os bastidores indicam que a pauta principal foi a viabilidade de uma coligação entre União Brasil e PL no território baiano para enfrentar a hegemonia petista de Jerônimo Rodrigues. Valdemar Costa Neto celebrou a chegada de Cedraz como um reforço importante para a capilaridade da sigla na Bahia. A presença de Neto no ato foi vista como um gesto de cortesia política que pavimenta o caminho para o apoio mútuo em palanques estaduais e nacionais.

Estratégia de palanque e o fantasma de 2022

A tese defendida por Neto, segundo interlocutores, é de oferecer palanque a Flávio Bolsonaro de forma mais explícita em um provável segundo turno. Em 2022, o ex-prefeito evitou vincular sua imagem à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estratégia que agora parece ser revista para atrair o eleitorado conservador. A avaliação da oposição baiana é que uma vitória de Neto no primeiro turno estadual serviria como um trampolim de votos para Flávio na disputa presidencial. Essa simbiose eleitoral busca unificar o voto da direita e centro-direita, que se fragmentou na última eleição para o Palácio de Ondina. João Roma, presidente do PL na Bahia e também pré-candidato ao Senado, atua como o mediador dessa aproximação. A união entre os dois maiores líderes da oposição no estado criaria uma estrutura robusta de tempo de TV, fundo partidário e militância digital para 2026.

Alinhamento nacional e peso do PL baiano

A agenda do PL em Brasília não se limitou a recepções. A sigla reuniu seus presidentes estaduais para definir diretrizes nacionais, contando com figuras como o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a deputada federal Soraya Santos (PL-RJ). O foco é criar uma narrativa nacional única de oposição ao governo Lula. A integração da Bahia nesse planejamento é vital para o PL, dado o peso do eleitorado nordestino. A chegada de lideranças como Aroldo Cedraz soma prestígio técnico ao partido, que busca se descolar de uma imagem puramente ideológica para atrair setores do agronegócio e do empresariado. Para ACM Neto, a parceria com o PL resolve um dilema de identidade política que o perseguiu na última campanha. Com o apoio dos bolsonaristas, ele espera consolidar uma frente ampla capaz de “libertar a Bahia”, termo recorrentemente utilizado por seu aliado, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).

Desafios da coalizão e impacto no interior

Apesar do clima amistoso em Brasília, a coligação União-PL ainda enfrenta desafios no interior da Bahia. Muitos prefeitos aliados a Neto possuem bases que votam historicamente no PT em nível federal, o que exige um equilíbrio fino na condução dos palanques regionais. A oposição aposta que o desgaste natural do grupo petista, após décadas no poder estadual, facilitará essa transição. A tese da “mudança” será o eixo central, tentando convencer o eleitor de que a união das direitas é o caminho para destravar investimentos e melhorar a segurança pública. A semana segue com novos diálogos, mas a foto de ACM Neto com Flávio Bolsonaro já enviou o recado necessário ao Palácio de Ondina. A direita baiana parece ter compreendido que a fragmentação é o maior trunfo do adversário e busca, agora, uma unidade programática e eleitoral sem precedentes.

Muita Informação*

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