Fernando Haddad anuncia que vai deixar Ministério da Fazenda na próxima semana

10/03/2026 01:24 • 6m de leitura

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) confirmou, nesta terça-feira (10), que deve deixar o comando da pasta na próxima semana, movimento que ocorre em meio às articulações políticas para as eleições de 2026. Apesar da decisão de deixar o cargo, o ministro afirmou que ainda não há definição sobre qual posição pretende disputar o governo de São Paulo no próximo pleito. A possível candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, hoje ocupada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) que deve tentar à reeleição, ainda depende de conversas políticas com aliados importantes do governo federal. Entre os interlocutores citados por Haddad estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Durante declaração à imprensa, o ministro explicou que o processo ainda envolve negociações e definição de alianças. “Devo deixar o governo na semana que vem. Nós estamos conversando (sobre candidatura). Não está batido o martelo ainda”, afirmou Haddad.

Saída do Ministério da Fazenda

A saída do Ministério da Fazenda já vinha sendo discutida internamente no governo federal há cerca de dois meses, segundo o próprio Haddad. O ministro destacou que a decisão não envolve apenas o cargo a ser disputado, mas também a composição política da eventual chapa. “Eu tenho conversado com o presidente, a gente tá alinhando também a questão de (…) não é só a candidatura. Tem que ver o bloco de pessoas, o grupo de pessoas que vão compor a chapa. Então eu estou vendo tudo isso com os cuidados devidos”, completou o petista.

Dario Durigan deve assumir comando da Fazenda

Com a saída de Haddad, o nome mais cotado para assumir o comando da Ministério da Fazenda é o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. O ministro destacou a confiança do governo federal no trabalho do auxiliar, embora tenha ressaltado que a decisão final cabe ao presidente da República. “Eu acredito que sim. O Dario, eu acho que tem uma relação muito boa com o presidente, muita confiança. E tem o domínio aqui do ministério há muitos anos. Um grande gestor público”, disse Haddad. Durigan é considerado um dos principais articuladores da equipe econômica e atua há anos em funções estratégicas dentro da estrutura do ministério. A eventual troca no comando ocorre em um momento sensível para a economia brasileira, marcado por debates sobre política fiscal, controle da inflação e crescimento econômico.

Legislação eleitoral exige afastamento do cargo

A decisão de Haddad de deixar o cargo também está relacionada às regras da legislação eleitoral brasileira. De acordo com a lei, ministros de Estado que desejam disputar eleições precisam se desincompatibilizar, ou seja, deixar suas funções públicas até seis meses antes da votação. Como as eleições gerais de 2026 ocorrerão em outubro, o prazo para afastamento termina no início de abril deste ano. Por isso, integrantes do governo que pretendem concorrer a cargos eletivos precisam definir suas estratégias políticas nas próximas semanas.

Disputa pelo governo de São Paulo

Embora não tenha confirmado oficialmente a candidatura, Haddad reconheceu que as eleições no estado de São Paulo costumam ser desafiadoras para candidatos do campo progressista. O principal adversário em uma eventual disputa seria o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), aliado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “É sempre desafiador para o campo progressista. Mas o importante é você qualificar o debate. É você, por meio do contraditório, elevar o nível de debate, o nível das propostas e não deixar ninguém na zona de conforto. Nem situação, nem oposição. O bonito da democracia é isso. Assim que a gente tiver um candidato a governador, eu acho que vai ter grande chance”, afirmou. Nos bastidores do governo federal, a candidatura de Haddad é vista como estratégica para fortalecer a presença do campo progressista no maior colégio eleitoral do país.

Pesquisa Datafolha indica liderança de Tarcísio

Levantamento do Instituto Datafolha, divulgado no último domingo (8) pelo jornal Folha de S.Paulo, mostra que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aparece na liderança em todos os cenários testados para o primeiro turno das eleições estaduais de 2026. Segundo a pesquisa, o atual governador supera a marca de 40% das intenções de voto em diferentes simulações. Em um cenário hipotético contra o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o governador registra 44% das intenções de voto. O instituto simulou diferentes combinações de candidatos e, mesmo com a variação de nomes, Tarcísio manteve vantagem em todas as projeções. A pesquisa ouviu 1.608 eleitores com 16 anos ou mais em 71 municípios, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Articulações políticas ganham força no cenário nacional

A possível candidatura de Haddad também está inserida em um contexto político mais amplo. Aliados do governo avaliam que uma disputa forte em São Paulo pode influenciar diretamente o cenário da eleição presidencial de 2026, já que o estado concentra o maior número de eleitores do país. Nos bastidores, integrantes do governo defendem que a presença de Haddad na corrida estadual ajudaria a ampliar o debate político e reforçar a comparação entre as gestões federal e estadual. O próprio ministro ressaltou que as conversas com aliados continuam em andamento e que a decisão final será tomada apenas após a definição das alianças políticas. “Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente [Lula] sobre São Paulo, vou ter uma conversa também com o vice-presidente Alckmin, com a Simone [Tebet], temos que ver como esse grupo pode ajudar, tanto a qualificar o debate em São Paulo, quanto jogar luz sobre as diferenças sobre o governo atual e o governo passado no plano federal, o objetivo é esse”, afirmou. Com a saída de Haddad do Ministério da Fazenda, o cenário político para as eleições de 2026 começa a ganhar novos contornos, especialmente na disputa pelo governo paulista. A definição sobre sua candidatura, no entanto, ainda dependerá das negociações políticas que ocorrerão nos próximos dias.

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