

As eleições de 2026 devem provocar uma das maiores renovações nos governos estaduais desde a redemocratização. Dos 27 governadores em exercício no país, 18 estão impedidos de disputar a reeleição por já terem cumprido dois mandatos consecutivos, conforme estabelece a legislação eleitoral brasileira. Com oito anos no cargo, esses chefes do Executivo estadual terão de buscar novos caminhos políticos ou atuar diretamente na construção de candidaturas sucessoras. Até o momento, quatro governadores já sinalizaram intenção de disputar a Presidência da República, enquanto ao menos seis avaliam concorrer a vagas no Senado Federal, que renovará dois terços de suas cadeiras em 2026.
Apesar das movimentações políticas em curso, nenhuma candidatura está oficializada. De acordo com o calendário eleitoral, os partidos deverão definir seus candidatos durante as convenções, previstas para ocorrer entre julho e agosto. O registro das candidaturas deverá ser feito junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto, quando a campanha eleitoral passa a ser permitida. Governadores que desejarem disputar cargos como presidente, senador ou deputado precisam se afastar do cargo até abril de 2026, seis meses antes da eleição. A exigência de desincompatibilização busca evitar o uso da máquina pública em benefício eleitoral. Nesse cenário, quando o governador renuncia, o vice assume o mandato e pode concorrer normalmente ao pleito.
O Rio de Janeiro apresenta uma situação específica. O governador Cláudio Castro (PL) está impedido de disputar a reeleição e já manifestou interesse em concorrer ao Senado. No entanto, o estado está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo, em 2025, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Caso Cláudio Castro confirme a saída em abril, o estado deverá realizar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para escolher um governador-tampão até o fim do mandato. O ocupante do cargo poderá, inclusive, disputar a eleição direta em outubro.
De acordo com o levantamento atual, os cenários possíveis entre os governadores são:
Entre os chefes do Executivo estadual aptos a buscar um novo mandato em 2026 estão:
Quatro governadores já manifestaram publicamente interesse na disputa presidencial:
Já a disputa por uma vaga no Senado está no radar de, pelo menos, seis governadores:
Segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, da ESPM e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), a limitação de mandatos torna a transferência de votos um elemento central nas eleições estaduais. “A primeira coisa que a gente tem que observar é o índice de aprovação desses governos. Em Goiás, por exemplo, o apoio a Ronaldo Caiado, em uma pesquisa recente, girava em torno de 80%. Há uma tendência de transferência de votos quando há apoio local de governadores com alta popularidade, pela confiança que o eleitor deposita nesses gestores que estão de saída”, afirma o especialista. Com a impossibilidade de reeleição em grande parte dos estados, a disputa por sucessões e novos cargos deve intensificar alianças políticas, negociações partidárias e estratégias regionais ao longo de 2026.
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