Sem reeleição, 18 governadores deixam disputa e redesenham eleições 2026

09/02/2026 08:34 • 4m de leitura

As eleições de 2026 devem provocar uma das maiores renovações nos governos estaduais desde a redemocratização. Dos 27 governadores em exercício no país, 18 estão impedidos de disputar a reeleição por já terem cumprido dois mandatos consecutivos, conforme estabelece a legislação eleitoral brasileira. Com oito anos no cargo, esses chefes do Executivo estadual terão de buscar novos caminhos políticos ou atuar diretamente na construção de candidaturas sucessoras. Até o momento, quatro governadores já sinalizaram intenção de disputar a Presidência da República, enquanto ao menos seis avaliam concorrer a vagas no Senado Federal, que renovará dois terços de suas cadeiras em 2026.

Calendário eleitoral e regras para desincompatibilização

Apesar das movimentações políticas em curso, nenhuma candidatura está oficializada. De acordo com o calendário eleitoral, os partidos deverão definir seus candidatos durante as convenções, previstas para ocorrer entre julho e agosto. O registro das candidaturas deverá ser feito junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto, quando a campanha eleitoral passa a ser permitida. Governadores que desejarem disputar cargos como presidente, senador ou deputado precisam se afastar do cargo até abril de 2026, seis meses antes da eleição. A exigência de desincompatibilização busca evitar o uso da máquina pública em benefício eleitoral. Nesse cenário, quando o governador renuncia, o vice assume o mandato e pode concorrer normalmente ao pleito.

Caso do Rio de Janeiro pode levar a eleição indireta

O Rio de Janeiro apresenta uma situação específica. O governador Cláudio Castro (PL) está impedido de disputar a reeleição e já manifestou interesse em concorrer ao Senado. No entanto, o estado está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo, em 2025, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Caso Cláudio Castro confirme a saída em abril, o estado deverá realizar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para escolher um governador-tampão até o fim do mandato. O ocupante do cargo poderá, inclusive, disputar a eleição direta em outubro.

Panorama dos governadores em 2026

De acordo com o levantamento atual, os cenários possíveis entre os governadores são:

  • 9 governadores poderão tentar a reeleição;
  • 4 são pré-candidatos à Presidência da República;
  • ao menos 6 avaliam disputar o Senado;
  • 5 ainda não definiram o futuro político;
  • 3 indicaram que devem concluir o mandato sem disputar eleições.

Governadores que podem disputar a reeleição

Entre os chefes do Executivo estadual aptos a buscar um novo mandato em 2026 estão:

  • Clécio Luís (Solidariedade) – Amapá;
  • Jerônimo Rodrigues (PT) – Bahia;
  • Elmano de Freitas (PT) – Ceará;
  • Eduardo Riedel (PP) – Mato Grosso do Sul;
  • Raquel Lyra (PSD) – Pernambuco;
  • Rafael Fonteles (PT) – Piauí;
  • Jorginho Mello (PL) – Santa Catarina;
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos) – São Paulo;
  • Fábio Mitidieri (PSD) – Sergipe.

Governadores que avaliam disputar outros cargos

Quatro governadores já manifestaram publicamente interesse na disputa presidencial:

  • Eduardo Leite (PSD-RS);
  • Ratinho Júnior (PSD-PR);
  • Ronaldo Caiado (PSD-GO);
  • Romeu Zema (Novo-MG).

Já a disputa por uma vaga no Senado está no radar de, pelo menos, seis governadores:

  • Antonio Denarium (PP-RR);
  • Cláudio Castro (PL-RJ);
  • Ibaneis Rocha (MDB-DF);
  • Helder Barbalho (MDB-PA);
  • João Azevêdo (PSB-PB);
  • Fátima Bezerra (PT-RN).

Transferência de votos ganha peso nas eleições estaduais

Segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, da ESPM e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), a limitação de mandatos torna a transferência de votos um elemento central nas eleições estaduais. “A primeira coisa que a gente tem que observar é o índice de aprovação desses governos. Em Goiás, por exemplo, o apoio a Ronaldo Caiado, em uma pesquisa recente, girava em torno de 80%. Há uma tendência de transferência de votos quando há apoio local de governadores com alta popularidade, pela confiança que o eleitor deposita nesses gestores que estão de saída”, afirma o especialista. Com a impossibilidade de reeleição em grande parte dos estados, a disputa por sucessões e novos cargos deve intensificar alianças políticas, negociações partidárias e estratégias regionais ao longo de 2026.

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